A estudante italiana que morreu no dia 31 de maio, nas Caldas da Rainha, após falar ao telemóvel com uma tia pode ter tido uma isquemia cardíaca, avança o jornal italiano Palermo Today, com base numa análise preliminar de um médico legista. No entanto, os resultados da autópsia só serão revelados daqui a três meses.
“Sei que a autópsia demora, mas confio num médico que, ao olhar nos meus olhos, do meu irmão, da minha cunhada e do meu sobrinhos, explicou-nos com o coração partido o que ele acredita ter acontecido”, afirmou a tia, Fiorella Barillà, ao Palermo Today.
A isquemia é a “presença de um fluxo de sangue e oxigénio inadequado a uma parte específica do organismo”, que se origina devido ao estreitamento ou bloqueio das artérias que alimentam, de acordo com a CUF. Quando afeta o coração, provoca dor torácica ou, se a isquemia for súbita, enfarte do miocárdio.
Momentos antes da morte da sobrinha, a estudante, Sofia Barillà, manifestou mal-estar à tia. “No domingo à noite, estávamos a conversar ao telemóvel. Ela tinha acabado de chegar a casa, estava calor e ela disse-me ‘Tia, estou a sentir-me mal, ligo mais tarde‘. Eu respondi ‘Tudo bem, querida, vai para a cama e coloca as pernas para cima'”, relata a tia, que sublinha que a chamada terminou normalmente.
Horas depois, e após várias mensagens e chamadas não atendidas, pediu a amigos da sobrinha para ver como estava. Os colegas de quarto encontraram Sofia inanimada, tendo pedido ajuda médica, que declarou o óbito no local.
Sofia Barillà estudava nas Caldas da Rainha no âmbito do programa Erasmus. O seu corpo foi transladado para Itália no sábado, com o apoio das autoridades consulares e do governo regional, que cobriu as despesas, segundo o Gazzetta del Sud. O funeral realiza-se esta segunda-feira, em Palermo.
O processo de transladação teve de ser feito através de meios próprios da família e da ajuda do governo regional, devido a vários entraves relacionados com o seguro da Universidade Politécnica de Milão, disponibilizado para os alunos do programa Erasmus.
“Durante dias, a Europe Assistance manteve-nos, aos familiares, à espera de notícias, atendendo a todas as nossas chamadas com a promessa de ‘ligaremos de volta em dez minutos’. Essas chamadas nunca aconteceram”, denunciou a tia, ao Palermo Today, referindo que tinham de explicar o caso várias vezes a diferentes operadores.
A transladação acabou por se concretizar ainda na semana passada e o corpo chegou a Palermo no sábado.