Em março de 2025, o Observador enviou uma carta para o recluso 13A0056 com a nova morada de Renato Seabra: Estabelecimento Prisional de Attica, 639 Exchange Street, Attica, Nova Iorque, Estados Unidos.
Segundo o advogado Scott B. Pulman, o português foi transferido para esta prisão de segurança máxima há pouco mais de dois anos. Attica fica no noroeste do estado de Nova Iorque, perto da fronteira com o Canadá e das Cataratas do Niágara.
Até então, desde janeiro de 2013, Seabra estava detido na prisão de Clinton, também de alta segurança, no nordeste do estado. Foi para lá que foi enviado após ser condenado pelo Supremo Tribunal de Manhattan a 25 anos a prisão perpétua pelo homicídio em segundo grau de Carlos Castro. Antes do julgamento, desde 12 de abril de 2011, esteve em Rikers Island, após alta do Hospital de Bellevue.
Todas estas prisões são conhecidas como algumas das mais violentas dos EUA, abrigando criminosos perigosos do estado de Nova Iorque.
O psicólogo Jeffrey Singer, que avaliou Seabra em Rikers Island em 2012, descreveu o local como “um inferno” e “caos”. “Aquilo é horrível. O Renato foi a última pessoa que avaliei lá. Deixei de ir.”, disse ao Observador.
Rikers Island é uma prisão superlotada, onde 80% dos presos aguardam julgamento por não poderem pagar fianças. Em 2025, doze reclusos morreram na prisão, segundo a imprensa americana.
Clinton, onde Seabra passou a maior parte da pena, é apelidada de “Pequena Sibéria” pelo isolamento e frio. Em 2015, dois reclusos condenados por homicídio escaparam pelos esgotos com ajuda de guardas. Na altura, o New York Times reportou que 90% dos detidos em Clinton cumpriam pena por crimes violentos, com média de 13 anos. Seabra, com pena mínima de 25 anos, estava acima da média.
Attica, para onde Seabra foi transferido, tem cerca de 1.900 reclusos (capacidade para 2.253). É mundialmente conhecida pelo motim de 1971, quando reclusos se revoltaram contra as condições, fizeram 42 reféns e, após cinco dias, 43 pessoas morreram na retomada pela polícia.
Atualmente, Seabra prepara com o advogado um recurso para anular a condenação e, pela primeira vez, está disposto a depor em tribunal. Se o recurso falhar, poderá pedir liberdade condicional em setembro de 2035 e, se aceite, ser libertado a partir de 1 de março de 2036.