Árvore genealógica de Cristiano Ronaldo: de um cavaleiro a um cardeal, as ligações improváveis do capitão

👁 1

Quando Maria Dolores dos Santos Aveiro teve no Funchal o quarto e último filho do casamento com José Dinis de Aveiro, a 5 de fevereiro de 1985, os nomes da criança significavam mais do que isso. Cristiano, escolhido por uma meia-irmã da mãe, simbolizava numa família de tradição católica a vontade superior de ultrapassar todas as dificuldades ao longo da gravidez. Ronaldo, escolhido pelo pai, homenageava o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, pelo que fez enquanto ator e por ser um exemplo do “Sonho Americano”. Mais de quatro décadas depois, o filho pode não ser literalmente o homem mais poderoso do mundo como ambicionava - mas também não anda longe.

Cristiano Ronaldo, hoje com 41 anos, é capitão da Seleção Nacional e chega aos EUA apostado em conquistar aquele que é o único coletivo que lhe falta entre tantos recordes. Foi esse trajeto iniciado na Madeira entre o Andorinha e o Nacional, que passou depois pelo Sporting antes do salto final para os principais palcos do futebol mundial por Manchester United, Real Madrid, Juventus e, de forma mais recente, Al Nassr, que lhe valeu vários títulos, homenagens e condecorações. Neste caso, uma em particular. Uma que, muito provavelmente, está mais próxima a si do que podia pensar.

Antes de receber de Marcelo Rebelo de Sousa a Grã-Cruz da Ordem do Mérito em 2016, depois da conquista do Campeonato da Europa em França, o avançado tinha sido condecorado por Jorge Sampaio como Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pela campanha até à final perdida com a Grécia no Euro-2004, e por Aníbal Cavaco Silva como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 2014, pelo papel de símbolo de Portugal em todo o mundo. O que Ronaldo e todos os restantes familiares provavelmente não sabiam era que foi graças ao Infante D. Henrique que se tornou descendente de muitos dos primeiros habitantes da Madeira como décimo sexto neto.

Mas há mais curiosidades até entre ligações que são mais conhecidas. Através de uma parceria com a Associação Portuguesa de Genealogia, que desenvolveu a investigação histórica e científica das árvores dos principais candidatos presidenciais nas últimas eleições de 2026, ficou a saber-se que Ronaldo era parente de Henrique Gouveia e Melo. Agora, outras investigações feitas pela Associação com as árvores de alguns dos principais jogadores de Portugal presentes no Mundial permitem perceber que essa ligação entre o capitão da Seleção e o almirante é ainda mais estreita, tendo em conta que existe uma linha através da avó materna que demonstra partilharem mais uma geração adicional de antepassados, a de Francisco Saldanha e Maria de Viveiros.

Entre outras ligações estão também um cardeal e o primeiro grande génio e símbolo do FC Porto e do futebol português, mais conhecido pela alcunha do que pelo nome. Mas os pontos de interesse nesta análise da árvore genealógica de Cristiano Ronaldo não ficam por aqui, com a confirmação de que o avançado tem sangue africano através da bisavó paterna, Isabel Rosa da Piedade. Navegue pela árvore genealógica do capitão para descobrir o que se esconde por trás de séculos de linhagem familiar, praticamente concentrada a 100% na Madeira mas com uma exceção vinda de Cabo Verde.

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, atual capitão da Seleção com cinco Bolas de Ouro, outras tantas Ligas dos Campeões conquistadas e um sem número de recorde batidos, nasceu no Funchal a 5 de fevereiro de 1985. É o mais novo de quatro irmãos, depois de Hugo, Elma e Kátia, do casamento de José Dinis Aveiro e Maria Dolores dos Santos

Toda a ascendência conhecida de Cristiano Ronaldo até aos trisavós é madeirense. Aliás, existe apenas uma exceção: Isabel Rosa da Piedade, bisavó paterna do jogador

Isabel Rosa da Piedade nasceu em 1893 na Praia, em Cabo Verde, emigrando sozinha com apenas 16 anos para a Madeira em busca de melhores condições de vida

Acabada de chegar à Madeira, começou a trabalhar como empregada doméstica numa casa no Funchal. Foi aí que conheceu José de Aveiro, nascido em Santo da Serra, na freguesia de Machico. Casaria mais tarde, a 20 de março de 1926, com o avô de José Dinis Aveiro, pai de Cristiano Ronaldo

Não existe qualquer estudo científico ou genético sobre a influência africana vinda da bisavó paterna no rendimento de Cristiano Ronaldo ao longo da carreira. No entanto, e quando veio a lume essa ligação através de meios cabo-verdianos, falou-se muito sobre a hipótese de parte da potência muscular e da resistência a lesões desse tipo poderiam ser explicadas com a ligação à bisavó paterna

Seguindo as linhagens puras advindas do lado do pai e do lado da mãe, é possível encontrar antepassados de Cristiano Ronaldo no século XVI, neste caso Isabel Antunes, nascida em 1590 e casada com João Vieira. A maioria dessas linhagens estão concentradas na parte norte da ilha da Madeira, sobretudo em Machico, com algumas linhas que tiveram origem inicial em Porto Santo

No entanto, e graças à qualidade e quantidade de informação que existe sobre todas as famílias madeirenses, é possível encontrar com segurança várias ligações da árvore de Cristiano Ronaldo aos primeiros povoadores da ilha da Madeira, ainda no no início do século XV

Podemos encontrar de tudo um pouco em todas essas linhagens que vão depois chegar a Cristiano Ronaldo, incluindo linhas que, segundo os nobiliários clássicos, têm ascendência real. Mais: existem ainda alguns casos, nesta parte mais raros, de ascendência cristã-nova

O apelido Santos de Cristiano Ronaldo, que vem do lado da mãe, Maria Dolores, terá muito provavelmente origem numa invocação religiosa, como é frequente nestes casos. A linha pode ser traçada até António dos Santos, sexto avô do jogador, nascido em 1785 no Caniçal, em Machico, filho de António José de Olim e Inês de Sousa

O apelido Santos foi transmitido sempre por via masculina até Miquelina de Jesus dos Santos, trisavó de Cristiano Ronaldo, nascida no Caniçal em 1877. A partir daí, a passagem começou a ser feita apenas por linha feminina até Matilde dos Santos, avó do jogador, que casou a 26 de dezembro de 1951 com José Nunes Viveiros e teve no último dia do ano de 1954 Maria Dolores dos Santos, mãe de Cristiano Ronaldo

Já o apelido Aveiro, que vem da linha do pai, José Dinis de Aveiro, tem como antepassado mais antigo entre todos os identificados Manuel de Aveiro, décimo avô do jogador por varonia que nasceu em 1650 e casou com Domingas de Mendonça

O apelido Aveiro foi sempre passando por varonia legítima ao longo de mais de dez gerações que se seguiram, embora com passagem de Machico para a freguesia de Santo António da Serra no quinto avô de Cristiano Ronaldo, Manuel de Aveiro

José de Aveiro, bisavô paterno de Cristiano Ronaldo que casaria mais tarde com Isabel Rosa da Piedade, foi o último a nascer em Santo António da Serra, dando-se a partir daí a passagem para o Funchal

A análise às linhas puras masculina e feminina consegue apurar outro pormenor. Cristiano Ronaldo descende da família Aveiro não só pelo pai mas também pela mãe: os antepassados mais antigos da varonia do jogador, Manuel de Aveiro, são duplos décimo e nono avôs de Cristiano Ronaldo através de uma linha ascendente de Maria Dolores dos Santos, que ficou em Machico até ao século XX

José Dinis de Aveiro, pai de Cristiano Ronaldo, nasceu a 30 de setembro de 1953 e é filho de Humberto Círio Aveiro e Filomena Martins Pereira, casados a 15 de fevereiro desse mesmo ano. Formavam um casal humilde, que fazia sobretudo trabalhos temporários, com o avô de Cristiano Ronaldo a procurar biscates na agricultura e na construção civil enquanto a avó tratava sobretudo da casa e das crianças

Cristiano Ronaldo e o pai, José Dinis de Aveiro

José Dinis de Aveiro, que teve cinco irmãos, esteve na Guerra do Ultramar em Angola, entre 1974 e 1975, regressando depois à Madeira onde foi jardineiro municipal e roupeiro em part-time no Andorinha, clube onde Cristiano Ronaldo começou a jogar futebol nas escolinhas

Foi José Dinis de Aveiro que quis colocar o nome Ronaldo no quarto e último filho que teve com Maria Dolores dos Santos, numa homenagem a Ronald Reagan, que era em 1985 o presidente dos EUA. Mas com uma nuance: essa admiração não vinha da parte política mas dos tempos em que era ator

Cristiano Ronaldo com os pais, Maria Dolores dos Santos e José Dinis de Aveiro

Tão ou mais importante, o líder norte-americano que um dia recebeu o campeão olímpico Carlos Lopes na Casa Branca representava aquele que era o grande sonho do pai para o filho: que pudesse ter uma vida a subir a pulso até tornar-se o homem mais poderoso do mundo, cumprindo aquilo que era descrito como “Sonho Americano”

💬 Yorumlar (0)

Yorum Yaz

Yorumunuz onaydan sonra yayınlanır.

Henüz yorum yok. İlk yorumu siz yazın.