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Lesly Gaetjens lembra-se pouco do pai, que desapareceu quando Lesly tinha sete anos. Da sua infância no Haiti, guarda apenas memórias de brincadeiras no pátio de casa, rodeado das rosas cultivadas pelo pai, e de algumas idas ao estádio com ele. “O meu pai vivia para o futebol. Adorava aquilo, era a sua paixão”, conta o filho ao Observador a partir da sua casa na Virgínia, nos Estados Unidos, país para onde fugiu com a mãe e os irmãos um ano depois de o pai, Joe Gaetjens, ter sido levado pela milícia do regime de François “Papa Doc” Duvalier. “Durante muitos anos, estivemos às escuras. Não fazíamos ideia do que lhe tinha acontecido.”
Gaetjens poderia ser apenas mais um nome na lista de milhares de vítimas dos Tontons Macoutes, mas um acontecimento tornou-o num rosto conhecido e idolatrado por alguns: foi ele o homem que marcou o golo da vitória da seleção norte-americana no jogo contra a Inglaterra no Mundial de 1950, no Brasil. Um resultado histórico: uma equipa de jogadores semiprofissionais, que mantinham empregos como carteiros e lavadores de pratos, bateu uma das melhores equipas do mundo. O acontecimento — que viria a ser eternizado num livro, The Game of Their Lives (sem edição em português) e num filme com o mesmo nome — ficou conhecido como “Milagre na Relva”.