• 13:01Benfica espera por Madrid para entregar as chaves de casa
  • 12:57Seguro pede português como opção curricular no Luxemburgo
  • 12:53"Maus Polacos" vence prémio de Melhor Documentário no Beast
  • 12:47Parque moçambicano de Zinave recebe 9 rinocerontes brancos
  • 12:12O caso do jovem que não sabia o que queria da vida
  • 12:06Democrata Xavier Becerra em primeiro na Califórnia
  • 12:0112h. PR quer alargar ensino do português no Luxemburgo
  • 11:41Seguro, o presidente que convence em silêncio
  • 11:38Montenegro promete "condições" a quem ensina português fora
Ver mais →

Quando Donald Trump chegou ao John F. Kennedy Center, em Washington, tudo parou. Os flashes viraram, os microfones começaram a atropelar-se, o foco estava centrado numa pessoa – e não era Gianni Infantino, o líder da FIFA que despiu o traje de mestre da cerimónia para vestir um fato entre o acólito e o súbdito. “Vai ser o maior evento de sempre”, “Batemos todos os recordes que existiam”, “Nunca houve nada como aquilo que vamos fazer”. A narrativa tantas vezes ouvida a propósito de um sem número de assuntos, como se fosse um fenómeno de IA onde se coloca um tema acompanhado por um adjetivo no comparativo de superioridade sintético e está feita a festa. Foi assim no sorteio, continuou assim em tudo, será assim em muito mais.

O Campeonato do Mundo de futebol está de regresso aos EUA, agora acompanhados por México e Canadá que parecem ser pouco mais do que figurantes. Donald Trump era presidente quando a candidatura conjunta venceu Marrocos em 2018, Donald Trump será presidente durante a fase final em 2026. O mundo mudou, o país mudou, os traços que definem a liderança nem por isso. Se há oito anos a presidência ameaçava deixar a Organização Mundial do Comércio, se pelo meio o foco de discórdia chegou à Organização Mundial da Saúde e à ONU, entre outros, agora as ameaças chegaram à NATO. No entanto, o futebol conseguiu ter a atenção de Trump, a ponto de Trump querer acabar com a palavra “soccer” para chamar apenas “football” – e a NFL, a organização de futebol americano que tem no Super Bowl um daqueles eventos que concentram milhões e milhões de olhares nos EUA, que arranje outro nome. Mais atenção do que se poderia imaginar.

O Mundial de futebol não é da América do Norte ou dos EUA, é de Trump. E, como em tudo o que tem a mão mais ou menos visível de Trump, trará tanta ou mais imprevisibilidade dentro como fora de campo.

Recuemos até ao último verão. Quando em julho o líder norte-americano teve o seu Dia da Independência em pleno MetLife Stadium, colocando-se como figura principal no momento em que os capitães do Chelsea iam levantar o troféu do primeiro Mundial de Clubes no atual formato, o mote estava dado. Aí, recebeu “apenas” uma medalha de campeão e entregou o principal prémio ao vencedor. No sorteio da fase final do Mundial de seleções, dois meses depois da atribuição do Nobel da Paz a María Corina Machado, teve direito ao primeiro “Prémio da Paz da FIFA”. A FIFA, aquele órgão que lidera no protocolo e que não demorou a banir o famoso chef Salt Bae de todos os seus eventos por ter entrado sem autorização no relvado após a final do Mundial de 2022, estendeu a passadeira para alguém “de fora” estar e ficar no palco dos campeões. A FIFA, aquele órgão que proclama neutralidade política, não teve pejo em criar um prémio que não podia ser mais político.