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Artilharia. Este é um dos primeiros sons que se ouvem quando se está perto de um miradouro em Kisra Sume’a, a cerca de 20 quilómetros da fronteira entre o Líbano e Israel. “É normal”, desarma Sarit Zehavi, que foi tenente-coronel nas Forças de Defesa israelitas (IDF) e que hoje se dedica à investigação militar no Centro de Pesquisa Alma. Afinal, os combates terrestres entre as IDF e os militantes do Hezbollah prosseguem naquela região, apesar do frágil cessar-fogo em vigor.

Muito perto do miradouro está uma estrutura de betão pesada e visualmente pouco atrativa: trata-se de um bunker. É para aquele espaço cinzento que se deve correr caso se ouçam sirenes ou se veja um objeto nos céus. Mas com um pormenor muito importante, como explica Sarit. Fruto da proximidade da fronteira — e dos locais de onde a milícia xiita lança os rockets e drones — há poucos segundos para se ir para o abrigo: cerca de 15 a 30 segundos. Mais do que isso? É arriscado.

Entre Israel, Hezbollah e o Irão, as últimas horas foram marcadas por uma escalada da tensão. Este domingo, depois de dois meses sem registo de quaisquer ataques de parte a parte, o regime iraniano — juntamente com os Houthis do Iémen — lançaram vários mísseis para várias partes de território israelita, justificando-o como uma vingança contra as IDF por estas terem atacado o sul de Beirute. Em resposta, Israel também retaliou e atacou solo iraniano nas horas seguintes.