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Esta é a história do dia da Rádio Observador. O que vale este acordo entre Estados Unidos e Irão? Um soco no momento certo e uma multidão em delírio. Não é isto que se costuma ouvir quando alguém declara a paz, mas era o que se ouvia quando o mundo tentava perceber que acordo era este que tanto os Estados Unidos como o Irão anunciaram para pôr fim à guerra. E ouvia-se este som, porque este domingo Donald Trump fez 80 anos e mandou instalar um octógono na Casa Branca, uma espécie de ringue para acolher um combate da UFC, a liga das artes marciais mistas. Trump queria o combate, teve o combate. Trump queria uma espécie de promessa de paz e teve um memorando de entendimento. Otimismo é coisa que nunca faltou ao presidente dos Estados Unidos, mas agora é tempo de olhar para este acordo, perceber que acordo é este, se estamos mesmo a caminho de uma paz duradoura e quais são os três pontos a que devemos estar atentos para perceber se isto não vai tudo por água abaixo. É sobre isso que vou falar hoje com a Sónia Sénica, professora de Relações Internacionais na Universidade Autónoma de Lisboa e investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais. Eu sou o Pedro Benevides e esta é a história do dia de terça-feira, 16 de junho. Olá, Sónia, bem-vinda.
Olá, Pedro, obrigada pelo convite.
O gosto é todo meu, até porque há muitas questões para responder à volta deste anúncio de um acordo, de um memorando de entendimento. Nós ainda nem percebemos exatamente o que está aqui em cima da mesa. Para já e para irmos pelo princípio, Sónia, isto é ou não é uma boa notícia?
Eu creio que com toda a cautela e moderação que nos é devida, dados os antecedentes, diria que é um passo significativo tendente àquilo que seja o amenizar da tensão e o cessar das hostilidades militares, que é algo, do meu ponto de vista, já substantivo. Mas eu não diria, Pedro, que seja uma grande vitória, sobretudo para Donald Trump e a sua administração. Como sabemos, a sua decisão, em concertação com Israel, de atacar estrategicamente o regime de Teerão, acabou por criar aqui, do meu ponto de vista, esta fatura muito onerosa, quer para o prestígio internacional dos Estados Unidos, quer para aquilo que configura ser realmente ter influência na região. E, portanto, aquilo que conseguimos perceber grosso modo, dado que algumas das dimensões mais focadas, e aquelas particularidades deste acordo e memorando ainda não foram completamente esmiuçadas, parece-me que o principal a notar é a reabertura do Estreito de Ormuz. Portanto, isto é a única grande vitória substantiva, do meu ponto de vista, para Donald Trump.
Sendo que é uma vitória substantiva essa questão do Estreito de Ormuz, mas ainda há um caminho a fazer. Agora, as últimas declarações do presidente dos Estados Unidos é de que efetivamente só na sexta-feira é que o estreito iria reabrir, mas é também um indicador, e usando até as próprias palavras que a Sónia usou no início da sua resposta, de que isto é apenas um passo. Ou seja, nós ainda estamos a fazer um caminho e não haja aqui a ilusão de que se atingiu um acordo de paz.