Bruno Gonçalves, tal como Sebastião Bugalho, também tirou o fato antes da entrevista, aparecendo com um look mais urbano-desportivo. Jurou ao Observador que era a primeira vez, desde que tomou posse há quase dois anos, que viu Estrasburgo de dia. Escolheu uma esplanada para a entrevista, mas como um saxofonista estava a fazer demasiado barulho para que se ouvissem as perguntas, a conversa teve de decorrer no interior de um bar ali ao lado, chamado Oktoberfest. Nome apropriado para uma entrevista com três premissas: realizar-se num bar, ser acompanhada por uma cerveja e fugir dos temas de atualidade.
O eurodeputado e ex-candidato à liderança da JS pediu uma cerveja sem álcool, ao contrário do que faz nos fins-de-semana. Até porque, por razões de saúde, anda a querer afastar-se da apologia do álcool. Sente-se, nessa matéria, “mais próximo da Gen Z do que dos millennials”.
Sobre ser alvo das revistas cor-de-rosa pela sua vida privada, Bruno Gonçalves diz não estar a par. E atalha: “O valor individual das pessoas nunca se mede por com quem está, mas por aquilo em que acredita.” Garante que não é agenciado pela Notable, agência de vários famosos, mas admite que agências de comunicação ajudaram no movimento cívico que criou (o “Bora”). Considera, numa reflexão mais teórica, que até há algo de artístico nas funções de um político e chega a citar Paulo Portas quando este um dia disse que “a política é uma arte performativa”.
Pareceu mais incomodado quando confrontado com o dilema de Pedro Nuno Santos, que um dia se auto-impôs a ideia de que era incoerente ter um Porsche e ser de esquerda. Fugiu à questão sobre se comprava peças de roupa caras, dizendo que se há algo de que não abdica é da liberdade de fazer o que entender. Até como consumidor.
Defende o mercado livre, não tem horror a Parcerias Público-Privadas e assume-se como um “social-democrata” (aviso: não confundir com o Partido Social Democrata português). Tendo Olof Palme como referência, chega até a reivindicar a flexisegurança como um modelo tradicionalmente de esquerda.
Engenheiro mecânico de profissão, quando provocado sobre o engenheiro que apostou nas energias limpas (José Sócrates), é rápido a desviar para outro engenheiro que começou a “descarbonização” e que “é hoje secretário-geral das Nações Unidas”, António Guterres.