A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar esta quinta-feira uma megaoperação de buscas em Lisboa, com foco na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e em ligações entre empresas e o poder autárquico do PS, avança a CNN Portugal e confirma o Observador. As buscas estendem-se à sede nacional do Partido Socialista. Segundo a PJ, na "Operação Imergente" há já cinco detidos e 37 arguidos.
As diligências cumprem "60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra", informa a PJ. "Até ao momento, foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e constituídos 37 arguidos. Em causa estão procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público", acrescenta a nota.
As suspeitas envolvem crimes de prevaricação e participação económica em negócio, ligados à contratação de militantes do PS e à adjudicação por ajuste direto de serviços a empresas associadas a socialistas, por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.
O ex-presidente da Junta de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, é um dos visados, bem como Duarte Moral, assessor do secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, e antigo assessor de António Costa. A conduta de Duarte Moral estará na base da presença dos inspetores na sede do PS. Moral terá beneficiado de uma prestação de serviços de 10 mil euros para o PS de Mafra, em 2021, por consultoria de comunicação e venda de panfletos publicitários. Outra questão sob investigação é a contratação por ajuste direto da mulher de Duarte Moral na Junta de Santa Maria Maior, entre 2020 e 2022, que lhe terá rendido 70 mil euros.
Miguel Coelho é suspeito de ter contratado em Mafra "uma rede de nove elementos ex-candidatos do PS àquela autarquia", além de 19 empresas da região com ligações a militantes socialistas para prestação de serviços, num total superior a 800 mil euros entre 2016 e 2022, segundo a investigação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção.
Esta é uma das maiores operações do ano no combate à corrupção, com cerca de 400 inspetores mobilizados e sete magistrados do Ministério Público, num inquérito do DIAP Regional de Lisboa. Os detidos serão levados a primeiro interrogatório judicial no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para aplicação de medidas de coação.