No Deserto Oriental, a cultura Maaza ganha novos trilhos
O corpo ainda se vai resignando às sacudidelas do terreno pedregoso quando a caravana de jipes faz a primeira paragem. Assim que deixamos Hurghada, com a sua sucessão de resorts tudo incluído, relvados imaculados e espreguiçadeiras até à água, é o deserto que nos abraça, e neste miradouro natural, o postal é amplo e arrebatador. Enchem-se os olhos de terra: aos nossos pés, a planície dourada alastra-se a toda a panorâmica até que o horizonte se fecha na cordilheira escarpada das Montanhas do Mar Vermelho, que acompanha toda a linha de costa nesta zona do Deserto Oriental. O vento é implacável.
Esta é a terra da tribo Maaza, beduínos que há séculos percorrem estas paisagens áridas. Agora, novas rotas turísticas procuram valorizar a sua cultura, oferecendo aos visitantes uma experiência autêntica longe dos circuitos convencionais. Guias locais conduzem os viajantes por trilhos ancestrais, partilhando histórias e tradições que resistem ao tempo. A iniciativa, que alia preservação cultural e desenvolvimento sustentável, promete transformar a forma como se conhece o Egipto para além do Nilo e das pirâmides.
O projecto, ainda em fase de crescimento, já atrai a atenção de viajantes em busca de algo mais do que sol e praia. “Queremos mostrar que o deserto tem vida e história”, explica um dos guias. A aposta no turismo de experiência, com ênfase na cultura Maaza, pode ser um novo caminho para a região, diversificando a oferta e gerando rendimento para as comunidades locais.