Índice
Índice
Um astronauta não é só quem vai ao Espaço. Sem nunca lá ter ido, João Lousada é uma das pessoas do mundo que melhor conhece a superfície de Marte. O engenheiro aeroespacial de formação é o único português que integra o corpo de “astronautas análogos” do Fórum Espacial Austríaco (uma das principais instituições privadas que atrai financiamento internacional para conduzir este tipo de estudos). E é uma das pessoas mais experientes deste grupo exclusivo de especialistas que simula missões espaciais em Terra.
Desde as montanhas austríacas ao deserto da Omã, João Lousada já atravessou dois continentes para replicar as condições do planeta vermelho e reforçar o estado de prontidão da humanidade para quando, dentro das próximas décadas, se decidir enviar uma tripulação numa longa viagem até Marte. Se a viagem espacial demora cerca de dois anos entre ida e volta, as missões análogas precisam de um período semelhante apenas para a preparação. Entre a escolha do país, da localização e das experiências científicas que querem conduzir, os astronautas análogos acabam por ter uma preparação muito semelhante à dos profissionais que pertencem ao corpo de astronautas das diferentes agências espaciais no mundo.
Quando não está num deserto ou num glaciar, João Lousada está em Munique, no centro de comando do módulo europeu Columbus da Estação Espacial Internacional (ISS, na sua sigla em inglês). É nesta “divisão” a bordo da ISS que a tripulação europeia promove a sua investigação específica. É um “laboratório polivalente” e o centro de operações da ESA naquela órbita terrestre baixa. E quem coordena tudo é o português, enquanto Diretor de Operações do módulo. Num trabalho que exige “24 horas de atenção”, o engenheiro e astronauta análogo comunica frequentemente com os astronautas no Espaço e gere e acompanha os trabalhos que estão a ser feitos naquele laboratório espacial.
João Lousada foi um dos oradores convidados pela TEDxLisboa, no passado dia 19 de maio. Perante um auditório cheio na Culturgest, o astronauta análogo defendeu que “o Espaço ainda vale a pena” e destacou o crescimento de Portugal nesta indústria ao longo dos últimos anos, destacando a criação da Agência Espacial Portuguesa e as últimas contribuições significativas do país para os diferentes projetos da Agência Espacial Europeia. Mas, além dos contributos financeiros que Portugal tem vindo a exportar para a ESA, sublinha que existe “muito talento” no país e que “temos hoje as portas totalmente abertas para que qualquer português possa assumir este tipo de cargos e crescer dentro da Agência Espacial Europeia”.