Em dia de reunião entre Luís Montenegro e André Ventura sobre o pacote laboral, o PS acelera a sua proposta alternativa. Determinado a demonstrar que consegue traçar um caminho diferente da “contrarreforma laboral”, como designou o pacote do Governo, José Luís Carneiro reúne economistas, empresários e académicos, num encontro que contará com nomes como Mário Centeno e o bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, para construir uma proposta em nome do PS.
A matriz que será trabalhada no encontro desta terça-feira, documento a que o Observador teve acesso, explica que a iniciativa parte da convicção de que Portugal não precisa da reforma laboral do Governo, mas sim de “produzir mais, criar mais valor e remunerar melhor o trabalho”. O objetivo divide-se em quatro eixos: “construir uma estratégia nacional capaz de aumentar o rendimento das famílias”; “valorizar o trabalho, atrair investimento, apoiar a criação de emprego qualificado”; aproximar os salários portugueses dos níveis médios europeus; e reforçar a competitividade da economia.
No âmbito da plataforma de políticas públicas “Solução para um Futuro Melhor”, que Carneiro lançou para propor uma alternativa à estratégia do Governo, o trabalho assenta em vários pilares. Um deles é a transformação do perfil de especialização da economia, para promover a “progressiva qualificação da base produtiva”, aumentar a produtividade e a competitividade, substituindo ou reduzindo a produção atual de baixo valor acrescentado. “É este o pilar essencial para assegurar a convergência salarial, produtiva e tecnológica com a Europa”, defende o PS.
Além disso, prevê-se o desenvolvimento de uma “estratégia nacional para a internacionalização” para modernizar o modelo exportador, aumentando o valor acrescentado das exportações. Há também um pilar dedicado ao investimento e à capitalização empresarial, onde se defende a incorporação da “intensidade tecnológica e de inovação” na produção portuguesa.
Entre os pilares inclui-se ainda a promoção da simplificação fiscal e administrativa, reduzindo os custos de contexto (objetivo também defendido pelo Governo no âmbito da reforma do Estado) e uma política fiscal que aumente a competitividade do país. Por fim, é preciso “garantir um mercado de trabalho resiliente e promotor de equilíbrios que promova um impulso de formação e qualificação dos portugueses com base numa Agenda para a Empregabilidade”.
Os especialistas que trabalham neste dossiê e que participarão no encontro desta terça-feira vão desde nomes mais esperados no universo do PS a regressos — como o de Mário Centeno, que liderou os trabalhos para construir a agenda económica do primeiro Governo de António Costa — e especialistas externos, como as professoras Carla Guapo Costa, Marta Simões e Aurora Teixeira, e o bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça.