Numa semana particularmente difícil para o PS no distrito de Lisboa, Ricardo Leão, presidente da Câmara de Loures e ex-líder da FAUL, passou pelo programa Vichyssoise para falar das buscas ao partido e das suas consequências políticas. Sem ambições de regressar à liderança da distrital, admite, ainda assim, presidir à Comissão Política — o mesmo órgão de que Alexandra Leitão saiu em desacordo com o autarca — e deixa claro ter muitas contas ainda por ajustar.

A atual vereadora socialista em Lisboa volta a ser alvo das críticas de Leão, agora pela posição que assumiu recentemente quanto a autarcas constituídos arguidos. Enquanto Alexandra Leitão defende a sua saída, o autarca de Loures rejeita essa linha e acusa-a de ceder ao “populismo”.

Claramente ainda não esqueceu as críticas internas de que foi alvo por declarações polémicas sobre habitação social e imigração, defendendo a sua atuação em Loures e sublinhando a demolição de mais de 70 barracas desde as últimas autárquicas — “e já não foi notícia”. Entre recados internos e balanços de gestão, fala ainda do futuro do PS: elogia o “trabalho de formiguinha” de José Luís Carneiro, mas evita comprometer-se com o seu nome para primeiro-ministro e, sem ser questionado, traz para a conversa o eventual regresso de Duarte Cordeiro.

“Não acredito que o Ministério Público tenha uma agenda política”

Vários autarcas do PS foram alvo de buscas, a própria sede do partido também recebeu inspetores da Polícia Judiciária. Alinha na tese, alimentada por alguns socialistas, João Soares à cabeça, mas também André Rijo, de que este timing é estranho?
Todos dizemos que “o que é da política à política e o que é da Justiça à Justiça”, mas depois temos o hábito de ir comentar. Portanto, não vou fazer qualquer tipo de comentário sobre essa matéria. É um processo que não conheço. Mas não acredito mesmo que o Ministério Público e a Judiciária tenham um calendário político, uma agenda política por trás, continuo a não acreditar.

José Luís Carneiro disse que o PS não era visado, mas há vários autarcas, responsáveis e funcionários do partido implicados nesta investigação. É possível fazer essa separação de águas?
Não, é difícil. Claro que isto para o PS foi mau, e pode dizer que de forma direta pode não ser envolvido, mas de forma indireta é sempre envolvido. Acho que o que o secretário-geral quis dizer é que a nível do partido, a nível do próprio secretário-geral, não foi visado. Isso é uma coisa que, de facto, é verdade. Mas acaba por ser sempre mau. É sempre uma má imagem termos a Polícia Judiciária na sede nacional do PS.

Tem implicações sobre uma eventual recuperação da imagem do PS perante potenciais eleitores, sobretudo numa altura em que estava bem lançado nos estudos de opinião?
Nós vamos ver o que é que isto vai dar também. É importante que saiam resultados.