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A 15 de maio de 1891, o Papa Leão XIII publicava a encíclica Rerum novarum, um dos textos centrais da Igreja Católica contemporânea. Com o subtítulo “Sobre a condição dos operários”, o documento denunciou as desigualdades sociais e a precariedade dos trabalhadores naquele momento decisivo da história, na viragem do século XIX para o século XX, marcado por uma revolução industrial que transformava radicalmente o mundo do trabalho. Leão XIII acreditava que o Catolicismo tinha algo a oferecer ao mundo naquele tempo de mudança: os fundamentos para uma sociedade justa e solidária, o apelo à colaboração entre trabalhadores e patrões, a dignificação do trabalho humano.

Não foi, por isso, por acaso que o Papa Leão XIV escolheu o dia 15 de maio para assinar formalmente a sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, divulgada esta segunda-feira pelo Vaticano e apresentada de forma inédita, pelo próprio Papa numa conferência que reunirá o cofundador da Anthropic Christopher Olah, as teólogas Anna Rowlands e Leocadie Lushombo, e vários cardeais. Apenas dois dias depois da sua eleição, quando discursou aos cardeais que o haviam elegido, o Papa Leão XIV explicou que tinha sido aquele texto de 1891 a motivá-lo a escolher o nome: “O Papa Leão XIII, com a histórica encíclica Rerum novarum, abordou a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial.” O diagnóstico de Robert Prevost, o primeiro Papa oriundo dos EUA, era claro: o mundo atravessa hoje uma nova revolução industrial, sobretudo marcada pela emergência da inteligência artificial, o que exige à Igreja que volte a pronunciar-se de modo firme sobre como responder aos desafios desta nova transformação.