Amnistia Internacional acusa Eurovisão de 'trair a humanidade' ao permitir participação de Israel
A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, acusou a União Europeia de Radiodifusão (UER) de "cobardia" e de ter "dois pesos e duas medidas" por não ter excluído Israel da edição de 2026 do Festival Eurovisão da Canção, ao contrário do que fez com a Rússia há quatro anos.
Num comunicado divulgado na madrugada desta segunda-feira, a organização não-governamental de defesa dos direitos humanos afirma que, "em vez de enviar uma mensagem clara de que há um custo para os crimes atrozes de Israel contra o povo palestiniano", a UER "concedeu a Israel este palco internacional, mesmo enquanto continua a cometer genocídio em Gaza e a manter uma ocupação ilegal e apartheid".
Segundo Callamard, a aliança das emissoras públicas europeias, que organiza o festival cuja 70.ª edição decorre entre esta terça-feira e sábado em Viena, Áustria, "está a trair os valores do Festival Eurovisão da Canção", que deve ser isento de "intolerância, discurso de ódio e discriminação". A organização está também "a ignorar os protestos dos seus membros de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, que se retiraram do concurso devido à participação de Israel". Callamard conclui: "Em última análise, a EBU traiu a humanidade".
A Amnistia Internacional alega ainda que a participação de Israel dá "ao país uma plataforma para tentar desviar a atenção e normalizar o genocídio em curso na Faixa de Gaza ocupada, bem como as suas medidas no sentido de uma maior anexação de Gaza e da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e o seu sistema de apartheid contra os palestinianos". A organização refere "decisões e pareceres dos tribunais internacionais" e de outros órgãos como as Nações Unidas, que "ao longo das últimas décadas, têm condenado repetidamente Israel pelas suas múltiplas e flagrantes violações".
"Não se pode permitir que canções e lantejoulas abafem ou desviem a atenção das atrocidades de Israel ou do sofrimento palestiniano. Não deve haver palco para Israel na Eurovisão enquanto houver um genocídio em curso", continua o comunicado. "A impunidade de Israel não pode continuar a ser tolerada, e as pessoas em todo o mundo devem agir de acordo com a sua consciência e defender os direitos humanos", finaliza.
A primeira semifinal, em que atuam os portugueses Bandidos do Cante com a canção "Rosa", será transmitida em direto na RTP1 esta terça-feira a partir das 20h. Desde 2020, o concurso tem como patrocinador principal a empresa de cosmética israelita Moroccanoil, parceria renovada este ano.