A relação entre António José Seguro e Luís Montenegro completa três meses acima das expectativas. Os dois já nem disfarçam publicamente a boa relação, mas o que verdadeiramente tem encantado São Bento e Belém é a relação de “lealdade” e “progressiva confiança” que cultivam em privado. Os potenciais conflitos são geridos meticulosamente de ambas as partes.
Há vários exemplos daquilo a que Luís Montenegro já chamou publicamente de “cooperação inexcedível”. O Presidente da República fez questão, apurou o Observador, de enviar as conclusões do relatório da resposta às tempestades ao primeiro-ministro antes de as tornar públicas. Já o primeiro-ministro tem dado orientações internas — desde o Governo à bancada parlamentar — no sentido de não criar conflitos institucionais nem afrontar Seguro, mesmo em matérias potencialmente polémicas, como a legislação laboral.
Nas reuniões de terça-feira, ambos partilham informações que não são do conhecimento de mais ninguém ou de círculos restritos, e ambos têm passado no teste. Até agora, não houve fugas de informação, o que deixa tanto Seguro como Montenegro satisfeitos. Nem sempre isso aconteceu com o antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que algumas vezes deixou o primeiro-ministro agastado ao tornar públicas informações partilhadas em privado. “É estranho dizer isto, mas ele confia mais no Seguro do que no Marcelo”, diz fonte da AD.
A indisfarçável cumplicidade e a cooperação complementar
Os ares do Grão-Ducado fizeram bem a ambos. O 10 de Junho, o primeiro em que coabitam, levou o Presidente e o primeiro-ministro ao Luxemburgo, onde se percebeu a boa relação. Seguro agradeceu a Montenegro ter ido àquele país no último dia de comemorações no estrangeiro, como foi citado pelo Expresso: “Estou muito grato de o ter ao meu lado. Desde a primeira hora, quando lhe disse que ia escolher o Luxemburgo para o primeiro 10 de Junho, disse-me que era boa opção e que aqui estaria”.
No discurso oficial, cuja versão escrita foi publicada no site da Presidência, essa referência não existia, falando o chefe de Estado apenas num “abraço dado em conjunto” por “Presidente, primeiro-ministro e deputados” aos emigrantes naquele país. Seguro quis fazer essa adenda, uma pequena atenção ao primeiro-ministro.
Outro momento de harmonia entre órgãos de soberania aconteceu quando o emigrante Pedro Teixeira pediu a Seguro e Montenegro que lhe autografassem uma bandeira de Portugal logo no primeiro ponto de agenda comum no domingo:
Luís Montenegro (LM): “Onde é que eu assino?”