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Esta transcrição foi editada para maior clareza.

Esta é a história do dia da Rádio Observador: SIRESP, guerras, conflitos de interesse e contradições.

“Não há um único facto que belisque a seriedade, a idoneidade, a forma transparente deste homem.”

O homem que está a falar é o ministro da Administração Interna. O homem de quem Luís Neves está a falar é Viegas Nunes, o major-general que liderou a rede de comunicações de emergência entre 2022 e 2024 e que agora foi outra vez nomeado, desta vez pelo governo de Luís Montenegro. Só que esta nomeação desencadeou uma demissão dentro do MAI, trocas de acusações, irregularidades que vieram a lume, defesas, justificações e algumas contradições. Ou seja, tornou-se naquele tipo de histórias que não desaparecem e que têm coisas novas todos os dias. Eu hoje vou falar com o editor de sociedade e com o editor adjunto de política do Observador, e o Pedro Rainho e o Miguel Santos Carrapatooso vão explicar, afinal, o que se passa com o SIRESP, que guerras são estas, os casos polémicos, e vamos falar também daquilo que ainda não se percebe nesta nomeação que o ministro defende com unhas e dentes. Eu sou o Pedro Gonçalves e esta é a história do dia de quinta-feira, 28 de maio. Olá, Pedro. Olá, Miguel.

Olá.

Olá, Pedro. Pedro Rainho, vou começar por ti. Uma das questões que tem estado em cima da mesa tem a ver com a demissão do número dois do Ministério da Administração Interna, que fez referência a graves irregularidades sobre as quais teria avisado o ministro e que, mesmo assim, foi nomeado para liderar o SIRESP, uma pessoa que tinha estado na liderança do SIRESP quando algumas coisas aconteceram. Do que estamos a falar? Que coisas foram essas?

Sim, o termo que é usado é “graves irregularidades”. De facto, António Pombeiro, o número dois do MAI, demite-se na última sexta-feira. Na verdade, é o segundo pedido de demissão que ele apresenta, porque já o tinha feito sensivelmente um mês antes, e em ambos os casos há ali uma referência muito intensa, muito clara, àquilo que ele considera serem graves irregularidades. Ele fala de quatro ou cinco situações diferentes. Creio que há duas que são particularmente mais relevantes, porque o que está em causa, segundo António Pombeiro, são situações de conflitos de interesse. No fundo, a contratação pelo SIRESP de empresas externas, necessariamente, que vão prestar serviços de consultoria ao SIRESP e que, no entendimento e segundo as referências que são apresentadas por António Pombeiro, nestas empresas havia elementos com ligações a responsáveis do SIRESP.

E tu, no Observador, aliás, estiveste a investigar alguns desses casos. Há um em concreto sobre o qual eu gostava que tu nos desses aqui alguns pormenores.

Estamos a falar de uma empresa cujo nome é Ana Leitão Unipessoal Ltda. Por que esta empresa entra na esfera do SIRESP? No final de novembro de 2024, Carlos Leitão, que na altura era diretor técnico do SIRESP, estava a terminar a sua comissão de serviço na empresa, no sistema que gere a comunicação de emergência.

Era diretor técnico e ia sair do SIRESP.

Ia sair no final de novembro, dia 30, se não estou em erro. E portanto, no dia 26, a dias de sair do SIRESP, Carlos Leitão lança uma requisição interna, no fundo, uma informação para os serviços do SIRESP, a dar conta de que era preciso fazer uma auditoria no SIRESP e que essa auditoria teria de ser feita no início de dezembro. E como ele, que era a pessoa habilitada a acompanhar essa auditoria, ia sair do SIRESP, esta nota interna que ele lança é para dizer que é preciso fazer esta auditoria, é preciso que alguém a faça e alguém a acompanhe e, portanto, vou sugerir-vos aqui esta empresa para fazer o acompanhamento desta auditoria.

Lembra-me só qual é que foi o nome da empresa, novamente, que Carlos Leitão sugeriu para fazer esse trabalho de auditoria ao SIRESP.

Carlos Leitão, a empresa que sugere para fazer esse serviço é a Ana Leitão Unipessoal Ltda.

E essa coincidência de apelidos não é uma coincidência.