A 26 de novembro de 2024, o então diretor técnico do SIRESP lançou uma requisição interna. O pedido ficou registado com o número 37/2024, foi assinado pelo próprio Carlos Leitão e era justificado com a necessidade de fazer uma auditoria de certificação, que deveria ter início menos de uma semana depois, a 2 de dezembro. Nessa mesma nota interna, Carlos Leitão apresenta a entidade que poderia prestar esse serviço: era a empresa da mulher. Mas, na verdade, a empresa não existia. Só seria constituída dois dias mais tarde. A IGAI está a investigar um eventual conflito de interesses — e, apurou o Observador, o ex-diretor técnico deverá ser ilibado de irregularidades.

O Observador teve acesso aos emails trocados entre os dias 26 e 28 de novembro e as comunicações internas nesse mesmo período. Documentos que mostram que o período para apresentação de propostas não poderia ter sido mais curto: apenas um dia. Se esse prazo tivesse sido cumprido, a empresa de Ana Leitão, mulher do diretor técnico do SIRESP, não poderia sequer ter sido contratada, porque simplesmente não existia.

De acordo com os registos daquela sociedade unipessoal, a Ana Leitão, Lda só foi formalmente constituída a 28 de novembro de 2024, dois dias depois de Carlos Leitão a apresentar como a melhor solução para a auditoria que o SIRESP precisava de realizar no prazo de uma semana.

A empresa tinha apenas uma acionista, Ana Paula Cardoso Gomes Leitão, morada em Estremoz, um capital social de mil euros e CAE 6220 atribuído, o que lhe permite desenvolver atividade de consultoria informática e gestão de instalações.

Ainda na nota interna que lançou a 26 de novembro, Carlos Leitão definia como critério único para a adjudicação a “avaliação do preço” que os eventuais interessados viessem a apresentar. E determinava o custo para o SIRESP do serviço que viesse a contratualizar: 12 mil euros.

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Naquele mesmo dia, numa mensagem que enviou ao Conselho de Administração do SIRESP, Carlos Leitão explicava que a empresa pública tinha lançado “o concurso limitado por prévia qualificação em Junho 2022, o qual incluía no Lote 7 a certificação ISO27001 do SOC”. Referia que o prazo dessa certificação deveria decorrer entre 2 e 13 de dezembro e, finalmente, solicitava “autorização para aquisição do serviço de acompanhamento da certificação ISO27001 à firma, Ana Leitão Unipessoal Lda, pelo valor de 12.000,00 € (doze mil euros)”.