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Miguel Uribe Turbay discursava num comício político num parque no bairro de Fontibón, em Bogotá, quando, atrás de si, soaram vários tiros. O senador do Centro Democrático e pré-candidato do partido à Presidência da República foi atingido duas vezes, na cabeça e numa perna, e acabou por morrer no hospital no dia 11 de agosto de 2025, mais de dois meses depois de ter sido baleado. A morte de Miguel Uribe marcou os meses seguintes da campanha presidencial na Colômbia, que culmina este domingo, quando 41,2 milhões de eleitores se dirigem às urnas para a primeira volta.

Este está longe de ser um evento isolado na história política da Colômbia moderna, profundamente marcada pela violência perpetrada por grupos armados. Porém, nos últimos anos, a segurança deixou de ser o eixo único em torno do qual se fazia política, depois de, em 2016, o Governo ter assinado um acordo que levou ao desmantelamento da maior e mais relevante guerrilha no país: as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) — o que valeu o prémio Nobel da Paz ao Presidente Juan Manuel Santos. Passados dez anos, as FARC já não existem, mas dezenas de grupos dissidentes continuam a ameaçar a ordem pública.

Não é por isso surpreendente que, a caminho das eleições, 30% dos eleitores colombianos continuem a selecionar a “ordem pública” como a questão que mais os preocupa, segundo um inquérito realizado pela Invamer em fevereiro. Em resposta às preocupações dos eleitores, os partidos mais à direita atiraram o tema da segurança novamente para o centro da campanha, argumenta Francisco Daza ao Observador. As eleições passaram, assim, a refletir “uma divisão sobre como se pensa a segurança no país”, aponta o investigador e coordenador do programa de Paz Territorial e Direitos Humanos do think tank Fundación Paz y Reconciliación (PARES).