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A Esquadra da PSP no Rato, em Lisboa, a menos de 800 metros da Assembleia da República, tornou-se o epicentro de uma onda de violência policial. Agentes são acusados de espancar, sodomizar e humilhar detidos, escolhendo vítimas em situação de vulnerabilidade, como toxicodependentes, sem-abrigo e imigrantes ilegais. O Ministério Público (MP) baseia a investigação em vídeos gravados pelos próprios polícias, que mostram socos, pontapés, coronhadas e armas apontadas à cabeça das vítimas.
Na decisão que levou às detenções, o MP descreve ações "violentas, perversas e descontroladas", com "requintes de malvadez". Os episódios incluem adulteração de provas, como quando agentes juntaram droga à quantidade apreendida a um homem, e agressões seguidas de risos. O agente Guilherme Leme, de 23 anos, é um dos nomes mais recorrentes nos casos.
As detenções ocorreram em três fases: a primeira, em julho de 2025, com Guilherme Leme e Óscar Borges; a segunda, em março, com mais sete agentes, incluindo o crime de "tortura grave"; e a terceira, esta terça-feira, a maior, com 15 agentes e um civil detidos. Entre os detidos estão dois chefes da PSP e Mário Vaz Maia, irmão do cantor Nininho Vaz Maia.
Até ao momento, dois detidos foram libertados: um polícia no dia da detenção, por alteração das circunstâncias, e o segurança de discoteca, por decisão judicial em habeas corpus. Os restantes aguardam medidas de coação no Estabelecimento Prisional de Évora, destinado a reclusos das forças de segurança.

▲ Polícias cortaram rastas a cabo-verdiano na esquadra do Bairro Alto
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR