Sondagem: Trump reprovado por inflação e gestão da guerra no Irão
Inflação e custo de vida são os pontos críticos dos eleitores dos EUA, que vão às urnas dentro de seis meses, quando estará em jogo o controlo do Congresso, actualmente nas mãos do Partido Republicano, cujo líder, o Presidente Donald Trump, tem a sua taxa de aprovação pelas ruas da amargura.
A mais recente sondagem, divulgada neste domingo pelo jornal inglês Financial Times (FT), confirma o que anteriores estudos de opinião têm indicado: a popularidade entre eleitores dos EUA nunca foi tão baixa, nem no primeiro mandato. Uma guerra impopular contra o Irão e os preços crescentes dos bens e da energia levaram 58% dos inquiridos na sondagem do FT a declarar que reprovam "fortemente" ou "de alguma maneira" a forma como a equipa de Donald Trump tem lidado com a inflação e com a economia.
No mesmo inquérito de opinião, realizado pela empresa Focaldata, 51% deram nota negativa à gestão económica e do mercado de trabalho e uma fatia maior de 55% disse que Trump prejudicou a economia dos Estados Unidos com o seu programa de taxas aduaneiras.
Com o argumento de que o país enfrenta uma emergência económica, Donald Trump subiu as taxas aduaneiras no primeiro ano deste segundo mandato, que vai ser posto à prova em Novembro, quando os EUA forem às urnas escolher quem os deve representar nas duas câmaras do Congresso.
Mais taxas aduaneiras, mais uma derrota nos tribunais. O Presidente dos EUA, Donald Trump, quis aplicar uma taxa aduaneira de 10% a todo o mundo, depois de ter visto o Supremo Tribunal declarar ilegal a tentativa de impor taxas recíprocas ou muito elevadas sem passar pelo Congresso. Porém, a sua intenção volta a esbarrar na legalidade.
Segundo um tribunal federal, sediado em Nova Iorque e especializado em temas de comércio internacional, o Presidente não tem autoridade para impor tal medida invocando a secção 122 da lei do comércio.
O chumbo foi anunciado na passada quinta-feira, com base numa decisão de um trio de juízes. Dois deles rejeitaram os argumentos do Presidente, enquanto o restante mostrou apoio, mas que é insuficiente.
No acórdão do Tribunal do Comércio Internacional dos EUA, o colectivo de juízes concluiu que a iniciativa de Trump não satisfaz os critérios especificados na lei do comércio para permitir alterações nos custos de importação. Como tal, a imposição de uma taxa de 10% a praticamente todo o mundo é "inválida e as taxas impostas são ilegais à luz da lei".
A decisão judicial pode ter um impacto limitado, explica o jornal Wall Street Journal, dos EUA. Isto porque a tal taxa de 10% só vigoraria até Julho. Por outro lado, o mesmo acórdão rejeitou o pedido de importadores que queriam um alívio imediato nesses custos acrescidos de entrada no mercado norte-americano.
Em 2025, Trump invocou legislação de 1977 para avançar com novas taxas aduaneiras sem passar pelo Congresso. Uma decisão ilegal, disse já este ano o Supremo Tribunal, que entendeu que Trump exorbitou-se nos seus poderes. V.F.
No acto eleitoral, agendado para 3 de Novembro, estarão em causa todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes e 35 lugares no Senado. No mesmo dia, os eleitores de 36 estados dirão quem querem para governador, havendo ainda em jogo milhares de lugares de representação política na administração estatal e local.
O foco nestas eleições estará, no entanto, centrado nas duas câmaras do Congresso, que foi posto de parte por Trump na questão das taxas aduaneiras, uma decisão em que acabou derrotado pelo Supremo Tribunal, apesar de este ter uma maioria de juízes mais próxima dos ideais do partido de Trump.
Serão eleições intercalares, porque acontecem sensivelmente a meio deste segundo mandato de quatro anos, para o qual a antiga estrela de televisão e homem de negócios foi empossado em Janeiro de 2025. Para os críticos do movimento Make America Great Again (MAGA), fundado por Trump, é a grande oportunidade de travar uma política que, de acordo com as sondagens, está a ter consequências que desagradam à maioria do eleitorado, principalmente no campo económico.
A subida do preço dos combustíveis, num país produtor de petróleo e habituado a conduzir carros grandes com motores gastadores, é um exemplo dessas consequências que enervam famílias e empresas, que já tiveram de pagar mais por produtos importados por causa das taxas de Trump, entretanto declaradas ilegais pelo Supremo.
Como recorda o FT, "Trump tem insistido nos últimos dias que o preço da gasolina estava 'bem em baixo'. Porém, o preço médio na última semana foi de 4,60 dólares por galão EUA [cerca de 1,05 euros por litro], quase 50% mais do que antes do início da guerra" dos EUA e de Israel contra o Irão.
Embora não dependa da energia produzida no Médio Oriente, onde foram atacados campos de gás, refinarias e infra-estruturas de transporte, a economia dos EUA não escapa à instabilidade que a Operação Fúria Épica, desencadeada no final de Fevereiro, introduziu na produção e distribuição de combustíveis fósseis.
O preço do crude disparou sobretudo por causa do bloqueio do estreito de Ormuz, com centenas de navios em paragem forçada e impedidos de assegurar o abastecimento de outras regiões do globo. Na sondagem do FT, quase 54% chumbam o papel da Casa Branca na gestão desse conflito, cerca de 20% dos eleitores republicanos são da mesma opinião e apenas um terço dos inquiridos deram nota positiva a Trump nessa matéria.
Actualmente, os republicanos controlam totalmente o Congresso. O Partido Democrata espreita a oportunidade de pôr fim a essa hegemonia, com uma vitória nas intercalares de Novembro próximo. Mais de metade (54%) dos inquiridos pela Focaldata consideram que Trump não está à altura da sua função e entre os eleitores que se declaram independentes, mais de 58% manifestam opiniões desfavoráveis a Trump.
Ainda na mesma sondagem, o Partido Democrata surge com uma vantagem geral de oito pontos percentuais. A empresa desta sondagem tem sede em Londres, realizou o trabalho de campo entre 1 e 5 de Maio, tendo uma amostra de 3167 eleitores registados. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais.
A empresa Trump Media and Technology Group (TMTG), dona da rede social Truth Social, criada por Donald Trump, registou prejuízos de 400 milhões de dólares (quase 340 milhões de euros) no primeiro trimestre deste ano. As receitas cresceram 6%, mas não chegaram aos 900 mil dólares (762 mil euros), sendo irrisórias face às perdas avultadas que a empresa sofreu com investimentos em criptomoedas que correram mal.
Essa é a explicação que a empresa fornece ao mercado, ao qual tem de prestar contas periódicas, enquanto empresa cotada na bolsa de Nova Iorque. Trump é o principal accionista da TMTG, com 41% do capital nas mãos de um fundo que gere as suas actividades e interesses económicos enquanto for Presidente dos EUA.
A rede Truth Social, criada em 2020 depois de Trump ter sido banido do antigo Twitter, é a plataforma usada pelo actual líder da Casa Branca para anúncios oficiais como Presidente, para atacar opositores e promover-se.
Em 2025, a empresa anunciou que tinha angariado 2500 milhões de dólares para investir em criptomoedas. Nas contas prestadas esta semana e entregues em Wall Street, a empresa garante que "a maior parte" daquele prejuízo decorre destes investimentos, prometendo reforçar a rede social com novidades em breve.
A principal criptomoeda, Bitcoin, caiu de 126 mil dólares para 70 mil entre Outubro de 2025 e Março de 2026, tendo voltado depois a subir para patamares a rondar os 80 mil dólares (quase 68 mil euros).
A TMTG está nesta altura envolvida em negociações para uma fusão com outra empresa de uma área totalmente diferente, focada no desenvolvimento de tecnologia de fusão nuclear. A empresa em causa chama-se TAE Technologies.
Os cientistas acreditam que a fusão nuclear pode tornar-se numa fonte inesgotável de energia. O problema é que, no estado actual de desenvolvimento, esse processo continua a consumir mais energia do que aquela que produz. V.F.