Quem passa pelas imediações da Florida Atlantic University (FAU) nestes dias é imediatamente contagiado por uma atmosfera que destoa do habitual rigor das seleções que disputam um Mundial. O compasso ritmado da música caribenha ecoa pelas avenidas universitárias, anunciando a aproximação de um autocarro escolar pintado de um azul vibrante. Lá dentro, os jogadores dançam, cantam e batem palmas com uma genuinidade desarmante. É impossível não sorrir. O veículo transporta a comitiva de Curaçau, a mais pequena nação em população (menos de 160 mil habitantes) e em extensão territorial a qualificar-se para a fase final de um Campeonato do Mundo. No Mundial de 2026, este pequeno ponto no mapa caribenho recusa-se a ser apenas um figurante; Curaçau quer, acima de tudo, viver o torneio em toda a sua plenitude.
Estas viagens de autocarro já se tornaram virais e ajudam a justificar o interesse que o Observador encontrou na sessão de treinos aberta à comunidade de Boca Raton, na Flórida. No final da primeira semana de treinos em solo norte-americano, o FAU Stadium abriu as portas e centenas de adeptos preencheram as bancadas para testemunhar de perto a energia desta seleção. O treino aberto decorreu ao som de música latina, cujos acordes se misturavam com as gargalhadas e os gritos das muitas crianças.
O Observador conseguiu acompanhar os últimos minutos deste treino que se transformou numa autêntica festa e foi possível testemunhar um cenário que já parecia completamente extinto no futebol moderno e hiper comercializado, com os 26 futebolistas convocados a juntarem-se a dezenas de crianças no centro do relvado para uma futebolada improvisada. O ambiente em torno da seleção de Curaçau fluiu com uma naturalidade desconcertante, como se fosse impossível fazer diferente. Atrai-nos para imediata afetividade por esta equipa e deixa-nos com uma pergunta constante e inevitável: por que razão o futebol moderno já não permite mais momentos como este?